“O Judiciário abraçou de uma forma carinhosa a Constelação Familiar porque viu os grandes resultados desta técnica”, diz terapeuta

Com a crescente procura das terapias alternativas como forma de diminuir as dores físicas e emocionais, especialistas passaram a estudar ainda mais a abrangência dos benefícios de cada uma delas. A adoção de terapias dentro de órgãos públicos e empresas privadas também provocou um maior interesse das pessoas acerca dos reais benefícios para a saúde. A terapeuta Dalva Umbelina, que possui formação em BodyTalk pela International BodyTalk Association Global Healing e é especialista nas técnicas de Barra de Access e Constelação Familiar, acredita que o grande alcance das novas terapias pode estar relacionado as recentes comprovações científicas obtidas, que mostraram que é possível alcançar benefícios no trabalho, na vida pessoal e nos relacionamentos através de exercícios simples realizados em um consultório, acompanhados de um terapeuta. “Depois que o órgãos públicos e empresas de grande porte passaram a adotar essas alternativas, a procura aumentou muito, porque a maioria dos pacientes procura uma solução para um conflito que o acompanha há muitos anos e que ninguém conseguiu resolver.”

O BodyTalk é uma terapia alternativa, desenvolvida nos anos 90, que tem a capacidade de equilibrar o corpo e a mente. De que forma ela trabalha o corpo do paciente?
Primeiramente é feita uma leitura neuromuscular. A pessoa chega com uma questão, por exemplo, o estresse, e através da musculatura – e dessa leitura – a gente identifica de onde está surgindo aquele estresse. Ao ter essa resposta, começamos a fazer implementações, que são toques suaves, para equilibrar o corpo. Através da sabedoria inata do próprio corpo é que vamos ajudar a pessoa a encontrar esse equilíbrio, de forma que não tenha mais os sintomas do estresse.

Como funcionam as sessões e que tipo de ferramentas o terapeuta utiliza?
Podemos dizer que a sessão de BodyTalk é muito simples, porque nós utilizamos poucos materiais, como uma maca e uma cadeira, para que o paciente sinta-se confortável. Na realidade, podemos afirmar que o instrumento é o próprio terapeuta com essa identificação que é feita através do paciente.

Grande parte dos pacientes procuram esta técnica por causa de uma dor ou patologia que o incomoda a algum tempo. A partir dessa concepção, como o BodyTalk trabalha a dor do paciente e as patologias por trás deste incômodo?
Da mesma forma que trabalha a dor, trabalha os outros sintomas. Primeiro, é identificado de onde vem a dor, porque a dor pode até ser física, mas pode ter um fator emocional por detrás. Tem paciente que chega no consultório reclamando de dores no ombro. Nós fazemos uma leitura neuromuscular, observando os pontos em que a dor no ombro está ligada com o fator emocional de sobrepeso, vamos supor. E, digamos, que esse paciente está com problemas na família e no trabalho, então ele vai pegando pra ele toda a responsabilidade de resolver esses problemas. Deste modo, o corpo reage de forma que começa a doer os ombros, então podemos afirmar que essa dor está relacionada a quando a pessoa está carregando o “mundo” nas costas.
Por exemplo, tem paciente que vem com dores no joelho, geralmente, a consciência do joelho está relacionado com para onde a pessoa deseja seguir na vida, isto é, a questão da preocupação com o futuro. É claro que podem ter outros fatores físicos, mas quando identificamos isso, começamos a tocar a área afetada e também tocamos a cabeça e o coração. A cabeça é tocada com o objetivo de informar o cérebro para atentar-se ao que precisa ser melhorado. O coração adentra neste contexto porque é ele que vai levar toda a parte sanguínea com os nutrientes, minerais e vitaminas para fazer as transformações necessárias. Isso ocorre porque o princípio do BodyTalk é o seguinte: o nosso corpo tem uma sabedoria inata que cuida do corpo e, com esse cuidado, ela também cura. O BodyTalk informa – ativamente – essa sabedoria inata e o que precisa ser feito. Através desses toques no cérebro e no coração, ocorre uma transformação biológica no corpo para eliminar os sintomas. 

Quais patologias podem ser curadas através das sessões de BodyTalk?
É indicado para patologias físicas, mentais e emocionais. Podemos afirmar que são inúmeros fatores que o BodyTalk pode auxiliar, dentre eles, hipertensão, hiperatividade, irritabilidade, estresse, cansaço emocional. Existe um caso que o BodyTalk auxilia, mas muitas pessoas não sabem porque não é divulgado, que é na preparação para uma cirurgia ou para uma prova. O paciente que vai fazer uma cirurgia ou uma prova para faculdade, escola ou concurso, pode vir fazer uma sessão de BodyTalk para prepará-lo para aquele evento, para o corpo e a mente dele receber bem. 

Os benefícios do BodyTalk possuem comprovações científicas no mundo?
Sim. O próprio doutor Jonh Veltheim, que criou o BodyTalk, é médico e desenvolveu a técnica porque a medicina tradicional não conseguia curar ele de uma doença. O doutor John tinha uma febre que não cessava, por isso ele fez um estudo durante toda a estruturação do BodyTalk no próprio corpo. Ele tocava o próprio corpo para tentar achar de onde aquela febre vinha. Através deste estudo, ele identificou que o fator da febre no nosso corpo está relacionado a queima da emoção da raiva, deste modo, quando ele passou a trabalhar essa raiva que tinha, a febre foi cessando. Nem os remédios conseguiram eliminar essa febre, mas quando ele considerou os fatores emocionais, por meio de toques, o corpo dele conseguiu identificar a origem daquele problema. 

Existem algum tipo de contraindicação a respeito do BodyTalk?
Não. O BodyTalk não tem contraindicações. Pode ser feito em gestantes, em crianças, idosos, adultos, porque é uma terapia não-invasiva e bastante tranquila. 

A senhora possui certificação em Constelação Familiar, uma técnica que tem se tornado bastante popular no Brasil. Por que a Constelação Familiar tem sido tão adotada pela Justiça brasileira e de que forma ela pode ajudar nesses conflitos familiares?
A Constelação Familiar surgiu a partir dos conflitos familiares, porque o Bert Hellinger é um psicólogo e fazia grupos para ajudar as famílias a encontrarem o equilíbrio. O Judiciário abraçou de uma forma carinhosa a Constelação Familiar porque viu os grandes resultados desta técnica. Ao realizar, o principal propósito a ser trabalhado é o do retorno do fluído do amor dentro do sistema, porque quando não existe mais amor, acaba também a compreensão e dá espaço para o julgamento, a exclusão. E o julgamento e a exclusão dentro de qualquer sistema, dão início aos conflitos.
A Constelação é feita como vemos no Judiciário, os juízes aplicando tanto a primeira parte quanto a segunda. Eles começam a olhar para o próprio sistema com mais amor e percebem que cada um tem a sua parcela de responsabilidade. A partir desta observação, as coisas ficam mais leves, porque tira o julgamento que eu tenho sobre o outro e passo a tomar as minhas responsabilidades. E assim, um para de cobrar do outro porque percebe que não existe essa necessidade. 

Quais as principais vantagens que podemos creditar a Constelação Familiar?
Na minha opinião, é trazer à tona, realmente, de onde está surgindo aquele problema e levar a pessoa a enxergar a solução. Muitas vezes, a pessoa vem fazer a Constelação e descobre que a causadora de tudo aquilo é ela mesmo. Podemos dizer que a Constelação vai mostrar a realidade e, é importante sempre frisar, que algumas realidades podem ser mais doloridas. Mas, a partir deste processo, é que as coisas passam a fluir com mais naturalidade e o paciente entenderá melhor seu sistema de aceitação e acolhimento. 

Existem dois tipos de Constelação Familiar: uma individual e outra em grupo. Quais procedimentos são adotados em cada uma delas e de que forma o terapeuta atua?
A individual é realizada apenas com terapeuta e paciente, utilizando ferramentas como bonequinhos Playmobil e papel sulfite. Neste processo, o terapeuta utiliza âncoras para identificar todo o sistema familiar da pessoa. No caso do paciente e terapeuta, nós utilizamos essas ferramentas e também a Constelação em meditação, que consiste em guiar o paciente através de visualizações em que ele vai percebendo e sentindo aonde de fato ocorreu o problema, seu surgimento e as pessoas envolvidas. 
No caso da Constelação Familiar em grupo, a pessoa traz uma questão e o terapeuta convida um grupo de pessoas para participar. Aquela questão que o paciente trouxe e as pessoas envolvidas no conflito serão atuadas pelo grupo. Por exemplo, alguém levanta a questão a respeito da dificuldade financeira, convidamos uma pessoa do grupo que vai representar a dificuldade financeira, depois, o terapeuta começa a trabalhar com as outras pessoas que estão participando, trazendo o que está de fato atrapalhando a situação financeira. Feito isso, começamos a equilibrar as peças que vão surgindo, por exemplo, a pessoa que está com a dificuldade financeira fala que também está sentindo o corpo pesado. A maioria de nós sabe que o sucesso na vida flui através da mãe, então convidamos uma pessoa que representará a mãe. Neste caso, quem está representando a mãe diz que não gosta de olhar para a questão financeira, e assim, a gente percebe que tem um conflito entre a mãe e a questão financeira. Neste momento, convidamos a mãe para falar uma frase para a pessoa que representa a situação financeira, por exemplo, “eu vejo você”. A importância deste momento é que todo mundo que ser bem-sucedido, mas existem pessoas que não conseguem olhar para a situação financeira. 

Quais os pré-requisitos e as contraindicações da Constelação Familiar?
O pré-requisito é a pessoa ter uma questão, um problema, que está envolvido dentro de um sistema. Vou citar um exemplo para melhor entender. A pessoa está com câncer e ela fala que gostaria de olhar esse problema na Constelação, mas, durante o processo, o terapeuta percebe que a doença dela não vem do sistema porque não tem ninguém dentro do seu sistema familiar que teve câncer. Podemos dizer que aquela doença não faz parte do sistema, na realidade, faz parte do físico dela. Neste caso, não dá de fazer a Constelação Familiar. Caso a pessoa nos procure e consiga perceber que está dentro do sistema familiar, podemos fazer a Constelação porque percebemos que tem algo envolvido. 
Contraindicação não existe na Constelação Familiar. Mas eu acredito que é importante ressaltar que há pessoas que vêm com questões que elas têm apenas curiosidade. O terapeuta começa a conversar com ela e percebe que ela não quer resolver o problema, apenas está curiosa. Isso eu acho que é um fator que não é bacana trabalhar. Nós temos que perceber se realmente o paciente deseja resolver aquilo. Na minha opinião, o grande empecilho é quando buscamos trazer uma resolução, mas o paciente não está disposto.

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